O dólar exerce uma influência profunda sobre todas as economias globais. Em um sistema financeiro amplamente dolarizado, os Estados Unidos atuam como emissores da principal moeda de referência internacional. Isso lhes permite financiar déficits bilionários com relativa facilidade, impor sanções com alcance mundial e atrair capital estrangeiro mesmo em períodos de instabilidade doméstica.
Esse arranjo, consolidado há décadas, começa a lidar com pressões em um quadro geopolítico cada vez mais instável. Com a guerra na Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio e a crescente rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China, o dólar passou a ser utilizado também como instrumento de poder.
Um exemplo emblemático foi o congelamento dos ativos russos denominados em dólar, uma clara demonstração do que os norte-americanos chamam de weaponization da moeda (seu uso como ferramenta política e econômica).
Os fundamentos que sustentavam essa hegemonia vêm se desgastando. Observa-se um enfraquecimento das instituições econômicas, tentativas de pressionar o Fed a adotar medidas alinhadas com interesses políticos, e crescente descontrole fiscal dos déficits do governo norte-americano.
Apesar dessas fragilidades, substituir o dólar como principal moeda de reserva não é uma tarefa simples, uma vez que ainda representa cerca de 60% das reservas internacionais dos países. O mais provável é uma transição gradual, com o fortalecimento de moedas regionais e a celebração de acordos comerciais em outras denominações.