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  • Como empresas brasileiras se protegem e crescem em tempos de instabilidade

    Nos últimos anos, as empresas brasileiras têm enfrentado um cenário de instabilidade, marcado por oscilações econômicas, insegurança jurídica e mudanças frequentes na legislação. O contexto inclui um ambiente macroeconômico com juros elevados, alta carga tributária e pressões por ESG.

    “Empresas que colocam o compliance no centro da gestão conseguem reagir com mais agilidade e segurança a mudanças regulatórias, como as que ocorrem frequentemente nas áreas tributária, trabalhista e ambiental”.

    Dados da 6ª edição da Pesquisa de Maturidade de Compliance no Brasil, mostram que o tema segue em evolução no país. O índice de maturidade do compliance nas empresas brasileiras subiu de 3,07 em 2021 para 3,09 em 2024, em uma escala de 1 a 5. Outro dado revela que 68% dos executivos revisam e aprovam anualmente os programas de compliance, demonstrando o crescente envolvimento da alta gestão na pauta da integridade corporativa.

    Mais do que um instrumento de controle, o compliance tornou-se uma alavanca estratégica. A combinação de treinamentos constantes, políticas internas transparentes, canais seguros de denúncia e auditorias regulares não só assegura a conformidade, mas também fortalece a confiança de investidores, clientes e demais stakeholders.

  • PIX Parcelado amplia crédito, mas preocupa por custo e inadimplência.

    Segundo o BC, a funcionalidade permitirá ampliar o uso do PIX em compras de maior valor no comércio, já que o lojista receberá o pagamento integral à vista, enquanto o consumidor poderá parcelar a despesa.

    Para aprovação, os bancos avaliarão critérios como score de crédito, histórico de pagamentos, tempo de relacionamento com a instituição e renda.

    Apesar da expansão do PIX, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) manifestou preocupação com a nova modalidade. Em nota, a entidade afirmou que o parcelamento se caracteriza como crédito com juros e contratos pouco claros, o que pode comprometer a confiança dos usuários no sistema.

    “O PIX nasceu como uma política pública de democratização dos pagamentos. Transformá-lo em um canal de crédito pouco regulado é colocar em risco essa conquista”, alertou o Idec.

    O receio é de que consumidores confundam a operação com uma simples transferência parcelada, quando na prática estarão contratando um empréstimo.

    Embora o PIX em si continue gratuito, o parcelamento é considerado uma operação de crédito. Assim, os bancos poderão cobrar juros, tarifas e impostos, como o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

    A Febraban reforça que cada instituição definirá suas próprias condições, mas é obrigatório informar o Custo Efetivo Total (CET), que reúne todas as despesas envolvidas no crédito.

    O relatório de crédito do Ministério da Fazenda, com dados do BC, indica que o rotativo do cartão de crédito responde por 60,5% da inadimplência de pessoas físicas em julho de 2025. O aumento das dívidas tem atingido principalmente famílias de baixa renda, que enfrentam mais dificuldades para acessar crédito com condições vantajosas.

    Para o Idec, o risco é de que a nova modalidade amplie esse cenário. “O que se apresenta como ‘acesso ampliado ao crédito’ pode, na prática, significar armadilhas financeiras e aprofundamento da desigualdade”, avaliou a entidade.

    Caso o Banco Central mantenha o projeto, o Idec sugere medidas de proteção ao consumidor, como:

    Evitar o uso da marca PIX, criando identidade própria para o serviço;

    Adotar regras claras de crédito, com contratos transparentes;

    Implementar limites proporcionais ao risco de endividamento;

    Permitir ativação apenas por iniciativa do usuário;

    Realizar consulta pública ampla, priorizando a proteção do consumidor.

  • Restituição do IR 2025: como agir se o pagamento não caiu.

    A temporada do Imposto de Renda (IR) costuma gerar expectativa para milhões de brasileiros. E, para quem consultou o site da Receita Federal, viu o valor liberado, mas não recebeu o depósito, a situação é mais comum do que parece. Diversos fatores podem explicar o atraso ou a falha no crédito.

    Antes de qualquer ação, é necessário confirmar se a restituição foi realmente processada e liberada. Caso o sistema indique pagamento efetuado e o valor não apareça na conta, confira:

    Dados bancários: confirme banco, agência, conta e tipo (corrente ou poupança) informados na declaração.

    Situação da conta: verifique se está ativa e em seu nome.

    Bloqueio ou erro bancário: contate a instituição financeira para confirmar o crédito.

    Devolução ao Banco do Brasil: se houver divergência, o valor retorna ao BB e deve ser reagendado.

    Se não houver irregularidade, é possível que o banco tenha bloqueado o depósito por questões operacionais. Solicite um extrato detalhado e, se necessário, abra protocolo na ouvidoria ou no Banco Central.

    Mesmo sendo a forma mais rápida, o Pix também pode falhar.

    Se sua restituição caiu na malha fina ou foi retida para análise, o e-CAC é a ferramenta para verificar as pendências. Resolva os apontamentos e aguarde o próximo lote residual.

    A não liberação da restituição do IR pode ocorrer por erros simples ou pendências na declaração. Acompanhar o status pelo site da Receita, verificar dados bancários e usar os canais oficiais garante maior agilidade para regularizar o pagamento.

  • Taxa Selic em 15%: impactos econômicos e estratégias de adaptação.

    A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano gera efeitos significativos em toda a economia brasileira. Esse cenário pressiona empresas e impõe novos desafios ao agronegócio, setor responsável por parcela expressiva do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

    Elevação do custo de capital: operações de crédito, capital de giro e financiamentos atrelados ao CDI tornam-se mais onerosos.

    Postergamento de projetos de expansão: abertura de novas unidades, processos de modernização e aquisições tendem a ser adiados em razão do custo elevado do financiamento.

    Pressão sobre o fluxo de caixa: companhias com maior nível de endividamento sofrem impacto direto no aumento das despesas financeiras.

    Necessidade de gestão estratégica: renegociação de passivos, revisão de contratos e reestruturação de capital tornam-se medidas prioritárias.

    Fortalecimento da renda fixa: títulos públicos e privados apresentam maior atratividade, ocasionando redução do fluxo de recursos para a bolsa de valores.

    Pressão sobre o mercado acionário: aumento da aversão ao risco e queda de liquidez impactam negativamente as cotações de ações.

    Encarecimento do crédito rural: linhas privadas e parte dos financiamentos sofrem elevação de custos.

    Adaptação nos investimentos: projetos de modernização tecnológica, infraestrutura e expansão produtiva tendem a ser adiados.

    Benefício aos exportadores: oscilações cambiais podem favorecer produtores que comercializam em dólar, atenuando os efeitos do crédito mais caro.

    Empresas: revisão da estrutura de capital, alongamento de prazos de dívida e gestão rigorosa do fluxo de caixa.

    Investidores: diversificação da carteira, equilibrando posições em renda fixa com oportunidades de longo prazo em ativos de maior risco.

    Produtores rurais: priorização do acesso a crédito subsidiado e aprimoramento da gestão financeira e operacional.

    A Selic em 15% não produz efeitos homogêneos, mas impõe a necessidade de ajustes estratégicos imediatos. As empresas precisam reavaliar decisões de financiamento, os investidores devem buscar equilíbrio entre segurança e rentabilidade, e o agronegócio exige gestão ainda mais criteriosa para sustentar sua competitividade.

  • Desastres climáticos devem acender alerta sobre segurança da informação.

    Em 2025, assistimos a novos episódios de enchentes no Rio Grande do Sul, aproximadamente um ano após a maior tragédia climática da história do estado. Longe de se tratar de um caso isolado, o Brasil vem testemunhando um crescimento exponencial de desastres climáticos. Segundo dados divulgados na série de estudos “Brasil em Transformação”, do programa Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo, 83% dos municípios brasileiros sofreram com desastres provocados por chuvas entre 2020 e 2023 (contra apenas 27% na década de 1990).

    Esses dados aterradores acendem um alerta sobre a urgência de se atualizar suas práticas de gestão de riscos corporativos, inclusive aqueles relacionados à segurança da informação e à continuidade de negócios.

    Chuvas prolongadas e enchentes como as registradas no sul do país podem levar à interrupção das atividades empresariais, já que tornam as dependências físicas do negócio inacessíveis, danificam ou destroem equipamentos e impossibilitam que funcionários exerçam suas atividades. E, para lidar com situações como essas, a implementação de um sistema de gestão adequado se revela prática recomendada para aumentar a resiliência empresarial e preservar a existência da empresa frente aos desastres climáticos.

    A norma ISO/IEC 27.001:2022, que estabelece os requisitos para o Sistema de Gestão de Segurança da Informação, recebeu uma emenda em 2023 que passou a exigir que as organizações considerem se as mudanças climáticas são relevantes para seus respectivos sistemas de gestão e para seus stakeholders.

    A atuação preventiva (e proativa) é a medida mais importante para aumentar a probabilidade de sobrevivência do negócio frente a situações complexas e excepcionais, como mudanças climáticas ou mesmo pandemias.

    Já passa da hora, portanto, de se compreender que as ameaças à segurança da informação são variadíssimas, e que priorizá-la não é mais opcional: é condição essencial para garantir a sobrevivência da empresa.

  • BC foca em prevenção de fraudes no Pix e deixa punição de contas laranja em segundo plano.

    O Banco Central (BC) vem enfrentando divergências internas sobre a proposta de punir CPFs e CNPJs associados a contas laranja usadas para movimentar recursos de origem criminosa por meio de transferências Pix. A medida é defendida historicamente por grandes bancos, mas encontra resistência na autoridade monetária.

    De acordo com apuração do Estadão/Broadcast, o regulador optou por avançar em ações que reforcem a segurança do Sistema Financeiro Nacional (SFN) sem criminalizar titulares de documentos. O BC teme punir vítimas de fraudes, já que criminosos podem abrir contas em nome de pessoas sem seu conhecimento.

    Na semana passada, a autarquia publicou a Resolução 501, que obriga instituições financeiras e de pagamento a usar todas as informações disponíveis, além de critérios próprios, para rejeitar transações destinadas a contas suspeitas de fraude. Na prática, a medida funciona como um bloqueio preventivo.

    Também está em análise uma solução intermediária no Pix. O BC avalia incluir um alerta automático para indicar que determinada conta está bloqueada quando uma chave Pix for consultada para uma transferência. O objetivo é facilitar a identificação de contas suspeitas usando o DICT, a base de dados do sistema.

    Grandes bancos defendem o banimento por cinco anos de pessoas físicas ou jurídicas que emprestarem suas contas para crimes financeiros. O Ministério da Justiça e Segurança Pública elaborou proposta semelhante para reforçar a segurança do sistema.

    O BC considera avançar na regulação das contas e ampliar os mecanismos de prevenção, sem assumir competência que possa ser contestada juridicamente.

    A proposta de punir CPFs de contas laranja permanece em debate, mas não é prioridade para o BC no momento. As ações focadas em contas suspeitas, incluindo o possível alerta no Pix, são a aposta da autoridade monetária para reduzir golpes e aumentar a segurança das transações no Sistema Financeiro Nacional.

  • Isenção do IR até R$ 5 mil: CAE discute projeto alternativo em análise.

    A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado pode votar, nesta terça-feira (23), a partir das 10h, o Projeto de Lei (PL) 1.952/2019, que propõe isentar do Imposto de Renda (IR) quem recebe até R$ 5 mil mensais. A análise ocorre diante da demora da Câmara dos Deputados em votar o PL 1.087/2025, apresentado pelo governo, com teor semelhante.

    O PL 1.952/2019 tem como relator o presidente da CAE. A votação busca sinalizar o descontentamento do Senado com a falta de avanço da proposta governista na Câmara.

    O presidente da CAE já havia demonstrado insatisfação com o andamento do projeto do governo, aprovado apenas em comissão especial da Câmara, mas ainda sem votação em Plenário.

    “Pesquisas mostram que 85% da população apoia a isenção. Só é contra aqueles que já estão isentos. Lamentavelmente, essa proposta (a do governo) tem sido usada como moeda de troca para se colocar outros temas na pauta do Congresso Nacional”, declarou ele em reunião recente.

    A CAE também deve analisar o PL 5.771/2023, que estabelece gratuidade no transporte público para acompanhantes de recém-nascidos durante deslocamentos para exames ou consultas do Programa Nacional de Triagem Neonatal.

    A senadora que apresentou relatório favorável à proposta, busca facilitar o acesso a procedimentos como o “teste do pezinho” e o “teste do coraçãozinho”, fundamentais para o diagnóstico precoce de doenças em bebês.

  • Empresas precisam colocar a inteligência artificial no centro da estratégia; saiba como.

    A inteligência artificial deixou de ser uma aposta futurista e passou a integrar o dia a dia das empresas em todo o mundo. Segundo especialistas, o que diferencia organizações em crescimento daquelas que estagnam não é mais o acesso à tecnologia, mas a capacidade de usá-la com estratégia, agilidade e escala.

    A adoção estratégica da inteligência artificial é apontada como elemento decisivo para produtividade e inovação. Ainda há quem associe IA apenas a modelos de linguagem, mas o impacto real vai muito além. Entre os benefícios estão ganhos incrementais de produtividade, automação de processos críticos, criação de novos modelos de negócio e agentes inteligentes embarcados em soluções corporativas. Plataformas baseadas em IA também permitem decisões em tempo real e em grande escala.

    Clientes já buscam soluções que entregam resultados concretos com IA. Para isso, liderança e visão estratégica são essenciais.

    A maior dificuldade para adoção da IA não é tecnológica, mas cultural. Pesquisas indicam que equipes engajadas, lideranças abertas à experimentação e foco na experiência do usuário fazem diferença significativa. A evolução para a IA é inevitável: a questão não é “se”, mas “quando”. Organizações que não agirem correm o risco de perder relevância.

    O Brasil possui vantagens competitivas para liderar a adoção de IA na América Latina e no cenário global. Entre os fatores positivos estão a abundância de energia limpa, a extensão geográfica e o capital humano qualificado. Essas condições criam um ambiente propício para o desenvolvimento e a aplicação estratégica de inteligência artificial em larga escala.

    A mensagem final é clara: o momento de agir é agora. Tornar-se uma “AI-first company” não significa apenas adotar ferramentas isoladas, mas integrar dados, processos e pessoas em uma jornada contínua de eficiência, inovação e competitividade.

    A inteligência artificial já é parte do cotidiano corporativo global. Para manter competitividade e relevância, empresas precisam adotar uma estratégia centralizada em IA, com liderança engajada, cultura de inovação e ações estruturadas. O Brasil reúne condições para se destacar nesse cenário, mas a transformação depende de decisões rápidas e estratégicas.

  • Comissão aprova dedução no IR para gastos com cuidador de pessoa com deficiência.

    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3502/2025, do deputado. O texto permite que o responsável legal por pessoa com deficiência deduza da base de cálculo do Imposto de Renda (IR) as despesas relacionadas à contratação de cuidadores.

    Os limites máximos de dedução, por beneficiário ou por ano-calendário, serão definidos posteriormente em regulamento a ser editado pelo governo federal.

    De acordo com a proposta, para usufruir da dedução, o contribuinte deverá comprovar os gastos por meio de documentação fiscal ou trabalhista.

    A legislação tributária em vigor determinará o prazo para a guarda desses comprovantes, que deverão ser mantidos pelo contribuinte em caso de fiscalização.

    O parecer favorável foi apresentado pelo deputado relator do projeto. Segundo ele, a medida busca valorizar o trabalho dos cuidadores formais e ampliar o acesso das famílias a esse tipo de assistência.

    “A contratação desses profissionais representa um custo para famílias, especialmente as de baixa e média renda, o que pode dificultar o acesso a este tipo de assistência”, afirmou o relator.

    A proposta ainda será examinada, em caráter conclusivo, por duas comissões:

    Finanças e Tributação

    Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC)

    Para que passe a valer como lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e, em seguida, pelo Senado Federal.

    A iniciativa tem potencial de reduzir a carga tributária de famílias que arcam com despesas de cuidadores para pessoas com deficiência, reconhecendo oficialmente esse tipo de gasto como dedutível no Imposto de Renda. A definição dos limites de dedução e a forma de regulamentação ainda dependerão de ato do governo federal.

  • BC divulgará regras de padronização do Pix parcelado em setembro.

    O Banco Central (BC) anunciou que irá divulgar, ainda em setembro de 2025, as regras de padronização do Pix parcelado. A modalidade já está disponível em aplicativos de algumas instituições financeiras, mas ainda não conta com regulamentação nacional que defina parâmetros de funcionamento. O objetivo da medida é garantir maior transparência e segurança tanto para consumidores quanto para lojistas.

     “Isso [Pix parcelado] vai estimular o uso do PIX no varejo para compras de bens e serviços e, especialmente, aquelas que têm valor mais elevado que demandam esse tipo de parcelamento”, afirmou o presidente do BC.

    O dirigente também destacou que a modalidade poderá beneficiar diretamente cerca de 60 milhões de pessoas que atualmente não possuem acesso a um cartão de crédito.

    Segundo ele, o Pix parcelado representa uma “grande inovação” por permitir o parcelamento de uma transação de forma instantânea, com a liberação imediata do valor ao vendedor.

    “A intenção nunca é vetar qualquer tipo de alternativa que vocês têm hoje, sejam vocês empresas, a instituição financeira ou cidadão que está utilizando aquele serviço. E, sim, consigam apresentar alternativas que se apresentem competitivas e deixem que o desejo do consumidor, o desejo do cliente, a experiência do cliente determine qual é uma alternativa mais interessante, mais competitiva”, disse.

    O Pix parcelado funciona de maneira semelhante a um empréstimo pessoal. Quando o cliente abre o aplicativo de seu banco para realizar um pagamento via Pix, pode encontrar a opção de parcelamento entre as alternativas oferecidas pela instituição financeira.

    Com a regulamentação, espera-se que o Pix parcelado se consolide como uma alternativa ao cartão de crédito em operações de maior valor. Para os consumidores, a vantagem está na possibilidade de parcelar compras sem depender de limite no cartão. Para os lojistas, o benefício é receber o pagamento integral de forma imediata, reduzindo riscos de inadimplência.